» 25/06/2008, às 13:41
Não é nenhum exagero dizer que a telenovela une a nós, latinos, ao mesmo tempo em que, curiosamente, traduz as particularidades de cada um dos povos da América. Em tempos de pulverização de audiência e da oferta avassaladora de conteúdos audiovisuais, o pesquisador espanhol Jesús Martín-Barbero, da Universidad Javeriana, de Bogotá, diz que é impossível prever o futuro do gênero que encanta multidões desde os anos 70.
"Hoje, você tem a opção de ver três telenovelas, mas logo serão 300", observa ele, que abriu na segunda, 23 de junho, o 4º Seminário Internacional Obitel (Observatorio Iberoamericano de la Ficción Televisiva), realizado no Rio de Janeiro em parceria entre a USP e o projeto Globo Universidade. A despeito da representação das diversidades, Martín-Barbero faz um alerta, sobre um aspecto perverso da globalização da televisão: "Em sociedades frágeis, como as latino-americanas, é importante ter algo que promova a socialização, como as telenovelas".
Na sua palestra, o senhor chamou a novela colombiana "Betty, a Feia" de "mutante", porque ela teria perdido a identidade quando foi adaptada em outros países. Mas não vê êxito nisso para a produção colombiana?
MARTÍN-BARBERO: "Betty, a Feia", em termos de público ou audiência, é um êxito maravilhoso. Mas o problema é que com essa telenovela não estamos falando com latino-americanos, mas usando a genialidade de um roteirista de usar um tema-chave, como é o de Branca de Neve. Nas versões de "Betty", o único aspecto que resta do original é o núcleo arquetípico da beleza oculta. É diferente, por exemplo, de novelas como "Roque Santeiro" e "Terra Nostra", que apresentam uma visão brasileira sobre as diferentes situações. "Betty" é um modelo que pode ser feito pelos alemães, basta mudar as tramas. Isso não tem nada a ver com a Colômbia, nem com a América Latina. De alguma forma, essa novela é o modelo que a globalização da TV está buscando: não é remake, é transformação, que permite que Betty seja alemã, norte-americana, espanhola…
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